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15.03

Ao menos seis ficam feridos em confusão durante ato na Câmara de SP

Cinco servidores e um idoso que não participava do protesto foram agredidos por PMs e guardas.


Ao menos seis pessoas ficaram feridas na confusão ocorrida durante protesto de professores em frente à Câmara Municipal de São Paulo, na tarde desta quarta-feira (14).

Segundo o advogado Cleiton Leite Coutinho, que defende o Sindicato Geral dos Servidores (Sindsep), entre os feridos socorridos e levados para o Hospital Municipal do Servidor Público estão cinco funcionários públicos e um idoso que não participava da manifestação.

O ato foi contra a reforma da Previdência de servidores municipais. De autoria da gestão de João Doria (PSDB), o projeto de lei pretende, entre outros pontos, aumentar a alíquota básica de 11% para 14%. O texto foi discutido e aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta.

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Parte dos manifestantes pôde entrar na Casa para acompanhar a sessão aberta, mas a maioria ficou de fora. Por volta das 14h, os manifestantes que ficaram de fora tentaram entrar no prédio, mas foram impedidos pelos guardas e por PMs. Houve tumulto e os policiais e guardas usaram bombas, cassetetes e balas de borracha contra os manifestantes.


Os feridos foram levados ao Hospital do Servidor Público. Entre eles estava a professora que fraturou o nariz após ser agredida dentro da Câmara. Ela foi socorrida e precisará passar por nova avaliação médica durante a semana para ver a necessidade de cirurgia.

Outro servidor atendido no hospital foi atingido por uma bala de borracha no queixo. O homem, que não quis ter o nome revelado, disse que estava do lado externo da Câmara, chamando as pessoas para se juntarem e ficarem perto do carro de som. “Policiais vieram de surpresa. Quem estava lá fora estava pacificamente“, contou.

Ele afirmou que levou tempo para perceber que tinha sido alvejado por uma bala de borracha. “Primeiro veio uma bomba de gás e fiquei atordoado. Na sequência veio o tiro. Cai de lado, do baque. Estava ardendo, pensei que era da bomba, mas um rapaz me avisou que eu tinha sido ferido e o sangue começou a pingar.”

Ele contou que levou três pontos externos e dois internos. Após a entrevista, voltou a sangrar pela boca e teve de voltar ao hospital para trocar o curativo.

Questionada sobre a ação, a Polícia Militar informou, em nota, que "houve necessidade de intervenção" após início de tumulto. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana, responsável pela Guarda Civil Metropolitana (GCM), foi acionada e não tinha respondido até a publicação desta reportagem.

Os servidores ouvidos pelo G1 negam que tenha havido confronto e afirmam que foram reprimidos com violência pela GCM e Polícia Militar. Eles disseram que começaram a bater na porta com as mãos para fazer barulho, pedindo para entrar, quando souberam que quem estava no interior da Casa tinha sido agredido.

O advogado diz que pretende fazer um boletim de ocorrência de lesão corporal. "Foi desproporcional a força utilizada, o aparato policial utilizado, acredito que pela presidência da Casa. E eles também devem responder por isso”, disse. "Os professores estão muito machucados."

Idoso
Outro ferido foi o encarregado de equipe Severino Teixeira do Nascimento, de 63 anos. Ele tinha ido ao Ministério do Trabalho e, na volta, perguntou aos policiais se podia passar pela frente da Câmara para pegar um ônibus e retornar à sua residência na Vila Mariana. O tumulto começou e ele foi atingido por um estilhaço de bomba.

    “Eu aguentei e não caí porque tenho natureza forte. Se fosse alguém com natureza fraca, não teria aguentado, não”, afirmou.

Ele foi socorrido por professores que protestavam e levado, inicialmente, a um hospital privado, que recusou atendimento. Ao ser levado ao Hospital do Servidor, levou seis pontos.

Câmara e Doria
Em nota, a presidência da Câmara Municipal de São Paulo informou que foi "garantido o debate democrático do PL 621/16. Tanto que assegurou o acesso de manifestantes ao plenário onde ocorria a reunião da CCJ e ao auditório externo até a lotação máxima dos dois espaços."

A Câmara vai apurar eventuais excessos das forças de segurança que atuam dentro do Legislativo.

Com a confusão, a sessão que discute a reforma chegou a ser interrompida. Por volta das 15h20 os trabalhos foram retomados, mas sem público e com as portas fechadas. Às 16h, os vereadores aprovaram a proposta de aumentar a alíquota básica de 11% para 14%. O PL ainda precisa passar por mais duas comissões para depois ser encaminhado à plenária e ser votado.

O prefeito João Doria (PSDB), que participa de evento no Fórum Econômico Mundial para a América Latina, condenou o que chamou de "invasão" da Câmara e disse que houve excesso da GCM e dos manifestantes.

“Houve uma invasão, é preciso estar claro. Aliás, não foi um convite [feito aos professores], foi uma invasão, o que não justifica nenhum tipo de violência - nem da parte que invade, nem da parte que é invadida. A Prefeitura, a figura do prefeito, não justifica nem ampara nenhum tipo de invasão, mas condena a invasão”, declarou o prefeito.

Fonte: G1
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